"A Clinica" - Santo Tirso
- Brutus
- 6 de mai. de 2019
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de mai. de 2019
Olá maltinha Tasqueira...
Maio já cá está e com ele, as magníficas alergias da Primavera. Para celebrar todos os espirros e as lágrimas que caem do meu rosto, sem ter vontade chorar, cá estou eu de volta, desta vez sem grandes períodos de interrupção, para vos trazer mais uma das minhas experiências gastronómicas.
A viagem foi curta e no passado dia 03 de Maio, aproveitando um radioso dia de sol e um dia de folga, meti pés à estrada e fui até à bela cidade de Santo Tirso, um dos principais motores industriais do Norte do País e que tem a particularidade de estar sempre em constante mutação para melhor, apenas visível aos olhos de quem lá vai esporadicamente. Para além do seu tecido empresarial, esta zona é também conhecida pelas suas tabernas tradicionalistas, e foi uma dessas tabernas que nos levou até lá, mais concretamente, "A Clínica"...
A ideia de ir conhecer "A Clínica" deu-se depois de algumas recomendações de pessoal amigo e de alguns seguidores aqui da nossa Tasca, onde destacavam a genuinidade do staff, a qualidade da comida caseira e acima de tudo o facto de nos sentirmos completamente em casa, sendo um local indicado para almoçar, lanchar e jantar. Seguindo as indicações do GPS , lá cheguei à "Clinica", que se encontra um tanto ou quanto escondida, localizada à face de uma estrada secundária, e que a única coisa que sobressai e chama à atenção é o fato de ter o parque de estacionamento completamente cheio, principalmente às horas das refeições. A isto junta-se de vermos carros estacionados ao longo da estrada e de forma quase selvagem, o que desde logo nos dá a indicação que estamos lá... Após 3 voltas ao quarteirão para conseguir parar o carro condignamente, eis que lá ao longe consegui ver uma pessoa a entrar para o seu carro que se encontrava dentro do parque e aproveitei o que a sorte havia reservado para mim... Lugar de primeira categoria. Como não conhecia o funcionamento da "Clínica", à chegada, esperei um pouco para falar com alguém, pois estava sozinho e só havia disponibilidade em mesas com vários lugares. Após cerca de 2/3 minutos de espera, rapidamente fui aconselhado a sentar-me em qualquer uma das mesas disponíveis, e foi o que fiz.
Como não conhecia muito bem o funcionamento da casa e as suas especialidades, perguntei ao funcionário, o simpático Sr. Arsénio, algumas sugestões para almoçar. A resposta foi clara e variada, tendo passado pelo bacalhau (vendem cerca de 1200 Kg de bacalhau por mês), costeletão, costelinha e ainda os secretos de porco preto. Optei pelos Secretos de porco preto, mas não sem antes de pedir uma pequena entrada para ir passando o tempo até a comida chegar à mesa. O sr. Arsénio trouxe-me então uma tábua de salpicão cortado à faca, que só pelo cheiro se adivinhava delicioso, uma cesta de pão e ainda uma taça de azeitonas.
Relativamente ao salpicão, o agradável cheiro a fumo que mencionei anteriormente era condizente com o sabor. Extremamente saboroso, tenro e com pouca gordura, cortado de uma forma tosca e sem grande regra. Exatamente como sequer numa casa deste género. Acima de tudo, genuíno. .
As azeitonas eram também muito saborosas, com o nível de acidez a ser bastante equilibrado, não causando assim "buracos" no estômago. Tudo isto devidamente acompanhado com uma canequinha de Verde Branco da casa, que era um autêntico "Sumol"... Vinho levemente gaseificado, e super leve, mas que se sente a sua presença ao fim do 3º/4º copo. Por isso, muito cuidado com este "moço"... Se puderem vão de boleia.
Até a comida vir para a mesa, a espera não foi grande, cerca de 7/8 minutos mais precisamente. O sr. Arsénio chegou à mesa acompanhado por uma travessa de 3 secretos de dimensão considerável devidamente acompanhados por um lençol pickles que se sobrepunha às carnes e ainda arroz branco e uma batata frita caseira cortada de forma ondulada, tipo "Ruffles", mas mais grossas.
Começando pelo arroz, pouco ou nada há a comentar sobre o mesmo... Soltinho, bem cozido, com um sabor caseirinho. Quanto às batatas, o corte é algo diferenciador relativamente àquilo que é apresentado por outras casas do género, daí eu considerar ser uma boa ideia. Contudo, algumas saíram um pouco grossas de mais e com algum óleo acumulado, mas foram apenas algumas, o que é normal... 90% estava com um nível de fritura excelente e bastante estaladiças. Por fim, a carne... Deixem-me confessar-vos que não sou grande apreciador de carne de porco, principalmente na brasa e fora de casa, isto por variadíssimas razões, sendo a principal, o receio da carne não ter a o nível de assadura necessário e vir para a mesa mal passada e ser um perigo para a saúde. Mas, face aos bons comentários que li em alguns sites relativamente aos Secretos de Porco Preto, decidi arriscar, e não saí nada defraudado, muito pelo contrário, fiquei extremamente satisfeito pela minha escolha ousada e passo a explicar porquê...
Os meus receios relativamente à carne de porco na brasa, para além do medo de vir mal passada, passa também por muitas vezes se apresentar uma carne seca que embola na boca e que custa a engolir... Neste caso isso não aconteceu. A carne era super suculenta provida de uma ligeira camada de gordura que além de a tornar extremamente suculenta, também lhe dava um sabor bem simpático e que gerava um regalo para o palato a cada garfada. Confesso que não consegui comer os 3 Secretos, deixando parte do 3º. As doses são muito bem munidas e considerando-me eu um bom garfo, e tendo deixado comida na travessa, penso que já dá para ter uma noção.
Após terminar a refeição principal, havia chegado a altura da sobremesa. As sugestões do Sr. Arsénio passaram pelo doce da casa (algo muito semelhante a natas do céu), mousse de Oreo e chocolate e por fim aquela que me arrebatou mal a ouvi; Pão de ló de fabrico caseiro com queijo e mel... Já nem quis ouvir mais opções, tendo o Sr. Arsénio dado o seu consentimento ao referir que havia sido uma boa opção. Passado uns minutos, fez-se apresentar com bela fatia de pão de ló caseiro, de cores bem vivas, que faziam adivinhar ovos caseiros, e um sabor de excelência, vindo ainda acompanhada por uma fatia de queijo de espessura considerável e com o pote do mel à parte para colocarmos a gosto.
Depois de regarmos a nossa sobremesa com uma pequena colher de mel, metemos mãos à obra de forma a degustar esta bela iguaria. Que sabor, que combinação, que festa no palato... Magnífico!! Fiquei totalmente rendido. É mesmo de comer e chorar por mais, muito por causa dos elementos de qualidade colocados no prato. Depois deste belo repasto, era obrigatório tomar um cafézinho e um digestivo para limpar a chávena... O xiripiti escolhido foi Whisky para ajudar a digestão, vindo a garrafa diretamente para a mesa para acompanhar o cafézinho. É chegada então a altura de pedir a conta, e para tratar da mesa, veio um dos responsáveis fazer o somatório à velha maneira tradicional, fazendo as contas diretamente no toalhete e à mão.
Assim sendo, As entradas (salpicão, azeitonas e o pão), a dose de secretos de porco preto, uma caneca de vinho, a sobremesa e o café com limpa chávenas, ficou por um total de 13 Euros. Justíssimo...
Resumindo e concluindo, deixo-vos as minhas considerações em jeito de nota relativamente à Taberna "A Clínica", em Santo Tirso:
Ambiente: 8
Comida: 8.5
Serviço: 8.5
Limpeza: 7.5
Preço: 8.5
Total Geral: 8.2
Maltinha, espero que tenham gostado desta experiência. Este é um espaço recomendado para todo o tipo de refeições, seja almoço, lanche ou jantar, propício também a um bom jantar de grupo, onde as pessoas se sentem literalmente em casa. Primam pela simplicidade de processos, e acima de tudo apostam na qualidade do que põem à disposição do cliente. Mais uma entrada direta no Roteiro da Tasca do Brutus.
Abreijos,
Brutus - 06/05/2019
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