"Taberna Velha", Canelas, Gaia
- Brutus
- 18 de fev. de 2019
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de mai. de 2019
Olá malta tasqueira...
Tiveram saudades minhas? Dadas as constantes mensagens a perguntar quando e onde iria ser a próxima viagem gastronómica, deduzo que que sim...
Pois é, no passado dia 14, foi o dia de dos Namorados, aka Dia de São Valentim,... não é o de Gondomar, é outro artista que era bispo e que gostava de continuar a celebrar casamentos na Roma Antiga, apesar da proibição do Imperador, que queria reforçar o exército apenas com homens solteiros e descomprometidos.
Apesar de achar que a celebração deste é um dia um pouco hipócrita, uma vez que na minha opinião as manifestações de afeto e carinho devem ser constantes e continuas, ontem lançaram-me um desafio de ir jantar com um grupo de amigos "desimpedidos" neste dia tão romântico e em que todos os restaurantes estão praticamente cheios e com uma decoração alusiva ao dia. Uma das razões que me levou a aceitar este convite, para além da fantástica companhia, foi o facto de o local escolhido ter sido um restaurante que já andava debaixo da minha vista para uma visita da Tasca do Brutus, falo-vos da "Taberna Velha" em Canela, Gaia. Falo-vos de um espaço enquadrado numa zona habitacional, que para a hora de jantar é de difícil estacionamento. O estabelecimento propriamente dito tem uma decoração bastante apelativa, com mesas retangulares de madeira e bancos corridos, a imitar mesmo as tabernas antigas da Idade Média. O ambiente à meia luz ajuda-nos a entrar no espirito medieval e naquele dia em particular também numa vertente mais romântica.
Como não poderia deixar tendo em conta o dia, a marcação de mesa foi fator obrigatório. Conforme combinado, por volta das 21:00 o grupo composto por 4 elementos, onde também me incluo, reuniu-se à volta de uma mesa para saborear alguns dos bons prazeres que a vida nos proporciona, acompanhado por uma boa dose de conversa.
Numa primeira instância, fomos presenteados com um "welcome drink", que era nada mais, nada menos que um flut de espumante com frutos vermelhos na base do copo, que para começar as hostilidades serviu muito bem como aperitivo. Como a fome já apertava, pão e azeitonas serviu de combinação até fazermos o pedido.
Enquanto desfrutávamos deste aperitivo, fomos estudando o menu e saliento a variedade aceitável de cervejas artesanais e correntes e ainda de uma panóplia simpática de vinhos verdes e maduros com principal incidência para a zona do Douro. Para começar, pedimos uma tábua de queijos e enchidos, e para beber aproveitamos o facto deste restaurante estar munido de uma cerveja artesanal que apreciamos bastante, a alemã "Erdinger".
Começando pela tábua de queijos e enchidos, saliento a enorme variedade apresentada e a bonita apresentação da mesma. Quanto aos queijos, tive oportunidade de experimentar o curado, e um de cor mais natural, que dado o sabor mais intenso me pareceu de cabra. Ambos muito bons e partidos em finas fatias, o que a meu ver ajuda a sobressair o sabor, em vez das fatias mais grossas. Juntamente com os queijos, e no centro da tábua encontramos os enchidos, compostos por chourição picante tipicamente espanhol, paio e presunto.
Esta combinação da cerveja artesanal com estas entradas mais rústicas caiu muito bem e resultou na perfeição, pelo menos para o meu gosto. Depois de algum tempo a degustar esta pequena maravilha, foi então chegada a altura de efetuarmos o pedido do prato principal. Em concordância de todos, optamos pela "Espetada Terra Mar", composta por nacos de vitela, gamba gigante, cebola, pimento e chouriça. Para acompanhar umas batatas fritas caseiras que também me davam a impressão de terem passado pelo forno, polvilhadas com ervas aromáticas.
Começando pela carne, estamos a falar de nacos bem constituídos, servidos diretamente do espeto, que após o corte dava logo para perceber que o nível de cosedura era sob o mal passado, sendo as extremidades mais finas onde se poderia notar um pouco a carne mais passada, mas nada de preocupante. A cor rosa da carne ia ficando mais intensa à medida que mergulhávamos mais no centro do naco, sendo bastante tenro do início ao fim e mantendo sempre um nível muito aceitável de suculentabilidade. Os camarões de porte bastante considerável, quase a lembrar lagostins, apresentaram-se também no ponto e com um ligeiro trago de picante bastante agradável. Por vezes, neste tipo de espetadas que apresentam carne e marisco, acontece que o marisco fica na brasa o mesmo tempo da carne, e quando é servido está demasiado cosido, o que não aconteceu aqui. A chouriça apesar de um pouco dura, conferia um trago mais rústico a este prato, sendo esta característica complementada pelo pimento e pela cebola devidamente assados.
O acompanhamento estava também divinal, quase se desencadeava uma luta para ver quem terminava com a travessa das batatas fritas, que eram deliciosas principalmente devido àquele sabor de ervas aromáticas, que faziam o nosso palato saborear algo "fora da caixa" e ainda assim transmitir ao cérebro a ideia que eram batatas fritas. Talvez para melhorar esta experiência das batatas fritas, apenas ficou a faltar um molho de alho, ou agridoce, devendo ser servido à parte como opcional, e que penso se enquadraria na perfeição.
Quanto à sobremesa e dadas as quantidades de comida já consumidas, optei por não pedir, embora provei uma pequena colherada do semi frio de frutos vermelhos pedido por um dos membros deste pequeno grupo. Sinceramente, pareceu-me muito pouco artesanal, algo industrial até, onde os sabores apesar de estarem lá, não me fizeram morrer de amores. Acho que dada a qualidade apresentada em toda a refeição, este restaurante merecia uma melhor oferta a nível de sobremesas e sobretudo mais caseiras. Para além do semi frio, poderíamos ter optado por mousse de chocolate, e um outro bolo que sinceramente não tomei muita atenção à descrição. Para finalizar este belo repasto, terminamos com um cafézinho e um xiripiti geladinho de bagaço com mel que caiu que nem ginjas para ajudar a "desmoer" o enfartamento.
O serviço foi decorrendo sem grandes transtornos, embora às vezes fosse necessário relembrar alguns pedidos que estavam esquecidos, mas o que aceito devido ao volume de mesas que 1 pessoa sozinha estava a servir e que, tinha apenas a espaços, a contribuição de um dos sócios gerente. O nível de simpatia em todas as interações foi positivo, tanto com a funcionária, como com o responsável, a quem pagamos a conta no final e ainda trocamos dois dedos de conversa. Quanto ao preço uma média de 20 Euros por pessoa foi muitíssimo simpática, tendo em conta que não nos ficamos por uma ou duas cervejas e que as quantidades apresentadas foram mais do que suficientes para que todos ficassem bem e ainda com direito a repetir mais do que uma vez.
Resumindo e concluindo, deixo-vos as minhas opiniões em forma numerária da "Taberna Velha", em Canelas:
Ambiente: 8.5
Comida: 8.5
Serviço: 7
Limpeza: 7.5
Preço: 7.5
Total Geral: 7.8
Espero que tenham gostado desta experiência mais temática do que o habitual, mas onde acima de tudo se destaca a qualidade de todos os produtos apresentados, bem como o preço médio por pessoa. Muito boa relação qualidade/preço.
Um local que para além de poder ser utilizado para jantares a 2, pode também ser utilizado para jantares/almoços de grupo.
Abreijos,
Brutus 18/02/2019
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